Assunto de pouco glamour, a fome no mundo ganha novo relatório e novos estudos

Enquanto a Copa do Mundo seguia sua missão, de entreter(?), chegava ao fim o trabalho de 400 pessoas – agências da ONU, governos nacionais, especialistas acadêmicos, organizações da sociedade civil, sindicatos, atores da economia social e solidária e movimentos populares, do Norte e do Sul globais  – que, durante 18 meses se debruçaram para responder a uma pergunta simples: como podemos acabar com a pobreza e reduzir as desigualdades sem tratar o crescimento do PIB como a principal condição para o progresso? O resultado desse trabalho foi divulgado em 9 de junho, mas muito poucos de nós ficamos sabendo. Afinal, era véspera do grande torneio mundial que, esse sim, mobilizou o mundo. A pobreza não tem glamour.

Hoje, na coluna do professor José Eli, no Valor Econômico, ficamos sabendo que a conclusão dos pesquisadores foi radical: o crescimento é uma estratégia fadada ao fracasso.

“Um modelo econômico que depende da expansão infinita em um planeta finito não é apenas injusto; é perigoso”, escreveram Olivier Shutter, Joseph Stiglitz, Jayati Ghosh, Thomas Piketty, Kate Raworth e Jason Hickel ao apresentarem seu trabalho em um artigo publicado no jornal britânico The Guardian no dia 10 de junho, a véspera do início da Copa. O modelo econômico atual “chegou ao fim de sua trajetória’, segundo os scholars porque, “num mundo mais rico do que nunca, cerca de um décimo da população mundial ainda vive em extrema pobreza”.

Estamos falando sobre pessoas que vão dormir sem ter comido nada e que não têm garantia de ter algo com que aplacar sua fome no dia seguinte. Gente que vive à margem do frenesi tecnológico que se tornou o mundo, cada vez criando mais e mais dispositivos ultramodernos. Dia desses, apresentaram um avião que consegue ficar no ar por 24 horas. Para que mais tecnologia? Por que não investir em tentar tirar as pessoas da fome?

Vai ser preciso uma grande reestruturação mundial, e não será fácil. José Eli da Veiga aposta que o nome do relatório “The Roadmap for Eradicating Poverty Beyond Growth” – “O mapa para erradicar a pobreza para além do crescimento”, em tradução lilteral, pode ter incomodado o andar de cima. Como assim, para além do crescimento? A pergunta que devem se fazer os que não investem no assunto é: “Vamos mesmo ter que mexer no que está posto?”

Vale a pena fazer contato com o material, que está disponível no site, mas é preciso esperar um pouco, porque ainda está com algum defeito técnico.

Avatar de Desconhecido

About ameliagonzalez848

Produtora de conteúdo. Jornalista especializada em sustentabilidade. Ajudou a criar e editou durante nove anos o caderno Razão Social, suplemento do jornal O Globo, sobre sustentabilidade, que foi extinto em julho de 2012. Assinou a coluna Razão Social do caderno Amanhá, de O Globo. Autora do livro `Porque sim`, sobre casos de sucesso da ONG Junior Achievement. Ganhou o premio Orilaxé, da ONG Afro Reggae. Esteve entre as finalistas como blogueira de sustentabilidade no premio Greenbest com o blog Razão Social, que foi parte do site do jornal O Globo de 2007 a 2012. Foi colunista do site G1 de 2013 a 2020, assinando o blog Nova Ética Social. Estuda os filósofos da diferença, como Fredrick Nietzsche, Gilles Deleuze, Spinoza, Henri Bergson em grupos de estudo no Instituto Anthropos de Psicomotricidade. Crê na multiplicidade, na imanência, na potência do corpo humano e busca, sempre, a saúde. Tem um filho, um cachorro.
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe um comentário