Texto curtinho só pra dizer… que bom!

Com a irreverência característica, o carioca apelidou de Caribrejo a Praia do Flamengo depois que ela foi declarada limpa pelos órgãos competentes. Na verdade, o que fizeram foi endereçar para o emissário submarino o esgoto que estava sendo lançado na praia. Não sei o que vai acontecer quando e se um dia o oceano não der mais conta e resolver devolver o “presente’.. Mas hoje não é dia para se falar em catástrofe.

Quero dizer que passei uma boa parte da manhã no Caribrejo, eu e meu cachorro, e voltei de lá com a melhor das impressões. Famílias com crianças e cães, casais de namorados, clima de festa, de confraternização. Tinha lá um pessoal com som de funk bem alto, mas não perturbou.

O mar ensaiou algumas ondas para divertir a criançada e o sol se escondeu, a tempo de nos dar chance de respirar sem aquele calor sufocante. Ou seja: tudo conspirando para que a festa da virada no Caribrejo não fique nada a dever da de Copacabana. Se eu fosse turista, daria uma espiada, até para contar coisas novas sobre o passeio à Cidade Maravilhosa.

E, na volta do passeio, a cereja do bolo: peguei um táxi dirigido por Tina. Cilios postiços, unhas idem, idade que se aproxima ou avança os 60. Falante, pero na medida para não irritar o passageiro. Conversa vai, conversa vem, Tina me conta que faz parte de um grupo de taxistas mulheres. No zap, elas estão sempre se perguntando umas às outras como estão as coisas. E, se alguém desaparece por horas, todo mundo se mobiliza pra saber se alguma coisa de ruim aconteceu com aquela.

É o jeito que encontraram de não se curvarem à violência urbana e ganharem seu sustento.

Fiquei pensando que é assim que tem que ser mesmo. Somos 56% vivendo em cidades no planeta, e essa porcentagem vai aumentar. Cidades são redutos de criatividade, de oportunidades, mas também podem se tornar reduto de violência e maus feitos. Para enfrentar tudo isso, vamos precisar criar saídas. Elas existem.

Um novo ano menos quente, mais solidário, com mais saúde e tempo para contemplar tudo aquilo que, muitas vezes, atropelamos sem fazer contato.

(PS): Não tenho foto para este post porque não ando com celular, só quando estou trabalhando. É meu jeito de não sair perdendo muito se um ladrão cruzar meu caminho.

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About ameliagonzalez848

Produtora de conteúdo. Jornalista especializada em sustentabilidade. Ajudou a criar e editou durante nove anos o caderno Razão Social, suplemento do jornal O Globo, sobre sustentabilidade, que foi extinto em julho de 2012. Assinou a coluna Razão Social do caderno Amanhá, de O Globo. Autora do livro `Porque sim`, sobre casos de sucesso da ONG Junior Achievement. Ganhou o premio Orilaxé, da ONG Afro Reggae. Esteve entre as finalistas como blogueira de sustentabilidade no premio Greenbest com o blog Razão Social, que foi parte do site do jornal O Globo de 2007 a 2012. Foi colunista do site G1 de 2013 a 2020, assinando o blog Nova Ética Social. Estuda os filósofos da diferença, como Fredrick Nietzsche, Gilles Deleuze, Spinoza, Henri Bergson em grupos de estudo no Instituto Anthropos de Psicomotricidade. Crê na multiplicidade, na imanência, na potência do corpo humano e busca, sempre, a saúde. Tem um filho, um cachorro.
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2 Responses to Texto curtinho só pra dizer… que bom!

  1. Avatar de Jaime Larry Benchimol Jaime Larry Benchimol disse:

    Amélia, um feliz ano novo repleto de saúde e boas realizações, como este
    blogo ótimo que você produz. Um grande abraço do amigo,
    Jaime.

     

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