Ganância e mediocridade explicam as árvores arrancadas no Flamengo

O tronco de uma árvore também arrancada do solo urbano carioca. Foto que eu mesma tirei durante uma caminhada.

Já não me importo com a falha, visível a olho nu,  da administração municipal do Rio de Janeiro no caso das 71 árvores que foram arrancadas do solo para deixar construírem dois prédios com 350  apartamentos no Flamengo. Infelizmente, não vivemos momentos de muita fé nas instituições e nos que se tomam por líderes e chefes.

Fico, sim, espantada, irritada, dá-me gana perceber a absoluta crueza de tais empresários. Mais ainda, com as pessoas que escolherão um bairro já muito densamento povoado, para morar, sabendo que as caixas/apartamentos onde amontoarão as coisas que acumularam serão construídas no lugar do verde.

É possível que, se tivessem tido um pouco, um pouquinho só, de respeito ao entorno, tais empresários percebessem zeros a menos em seu lucro. E o horror de se sentirem menos ricos nublou totalmente a capacidade de perceber que estariam sendo muito, mas muito mais interessantes, até para o mercado imobiliário, caso erguessem os prédios em meio às árvores. Compor com o verde, fazer disso um alarde. Tantas oportunidades de não serem tão triviais e vulgares.

A ganância torna as pessoas medíocres, sem subjetividade, sem criatividade. Erguerão ali amontoados de cimento, porcelanato, ladrilhos, fazendo aquele amontoado de sempre.

Por essas e outras que estamos vendo o Rio de Janeiro se tornar uma ilha de calor mais forte a cada dia. Por essas e outras que sempre tenho desejo de pedir desculpas a uma criança recém-nascida. Olhem bem o mundo que estamos deixando para as próximas gerações.

E para não ficar devendo informações, já que o ofício de jornalista assim obriga, aqui vai: segundo a revista Lancet, de 2000 para cá, aumentou muito o número de pessoas mortas po conta das formas modernas de poluição. E o urbanismo descontrolado é um dos responsáveis. Todos os anos nove milhões de pessoas morrem por causa da poluição. Só para se ter um meio de comparação, a Covid matou 15 milhões.

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About ameliagonzalez848

Produtora de conteúdo. Jornalista especializada em sustentabilidade. Ajudou a criar e editou durante nove anos o caderno Razão Social, suplemento do jornal O Globo, sobre sustentabilidade, que foi extinto em julho de 2012. Assinou a coluna Razão Social do caderno Amanhá, de O Globo. Autora do livro `Porque sim`, sobre casos de sucesso da ONG Junior Achievement. Ganhou o premio Orilaxé, da ONG Afro Reggae. Esteve entre as finalistas como blogueira de sustentabilidade no premio Greenbest com o blog Razão Social, que foi parte do site do jornal O Globo de 2007 a 2012. Foi colunista do site G1 de 2013 a 2020, assinando o blog Nova Ética Social. Estuda os filósofos da diferença, como Fredrick Nietzsche, Gilles Deleuze, Spinoza, Henri Bergson em grupos de estudo no Instituto Anthropos de Psicomotricidade. Crê na multiplicidade, na imanência, na potência do corpo humano e busca, sempre, a saúde. Tem um filho, um cachorro.
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2 Responses to Ganância e mediocridade explicam as árvores arrancadas no Flamengo

  1. Avatar de Sergio Lamarão Sergio Lamarão disse:

    O resultado do conluio de capitalistas gananciosos com administradores públicos venais é o desrespeito absoluto ao meio ambiente. Rio 40 graus!

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