Uma breve história sobre o microcrédito no mundo

Entre as medidas do governo federal para tentar aquecer a economia e ganhar a reeleição está a concessão do crédito consignado para as 17,5 milhões de pessoas que recebem R$ 400,00 como Auxílio para sobreviverem.  A medida já tinha sido proposta anteriormente, mas a Câmara dos Deputados vetara, por julgar polêmico o endividamento das famílias de tão baixa renda.

A notícia é, de fato, polêmica. E inspira reflexões. No meu caso, lembrei-me de rever o início do microcrédito, lançado pelo economista Muhammad Yunus em Bangladesh em 1977, portanto há quase meio século. Há uma diferença, claro, entre empréstimo consignado e o microcrédito. Mas ambos lidam com pouco dinheiro para os muito pobres. E, neste sentido, são muitas as semelhanças.

Tanto que não seria demais pensar que os técnicos do governo que estão pensando a este respeito poderiam visitar os livros e a história de Yunus. E tirar de sua experiência algum proveito para ajudar, realmente, os que necessitam de dinheiro.

Yunus conta, em seu livro “Banqueiro dos pobres” (Ed. Atica), que escreveu com a ajuda de Alan Jolis em 2004), como tudo começou. Foi na aldeia Jobra, em Bangladesh, país que acabara de viver um período de fome violenta. Já como pesquisador e professor da Universidade de economia, ele resolveu visitar o local para conversar com as pessoas. E reproduz o diálogo com uma artesã:

Muhammad Yunus em palestra no balcão da Ação da Cidadania em maio de 2013. Foto Amelia Gonzalez

– Como a senhora se chama?

– Sufia Begum

– O bambu é da senhora?

– Sim

– Como a senhora o obtém?

– Eu o compro

– Quanto ele custa?

– Cinco takas (na época, representava 22 cents de dólar)

– A senhora tem esses cinco takas?

– Não, eu peço emprestado dos paikars

– Os intermediários? O que a senhora combina com eles?

– Eu preciso vender para eles meus tamboretes de bambu no fim do dia para devolver o dinheiro emprestado. O que sobra é meu lucro

– Por quanto a senhora vende o tamborete?

– Cinco takas e 50 paisas.

– Então a senhora tem um lucro de 50 paisas? (na época, representava 2 cents de dólar)

– Mas a senhora não poderia tomar emprestado o dinheiro e comprar os materiais?

– Poderia, mas me cobrariam um absurdo. E as pessoas que apelam para eles empobrecem mais depressa ainda

– Com quanto o agiota fica?

– Depende. Às vezes ele fica com dez por cento por semana. Eu mesma tenho um vizinho que paga dez por cento por dia!

– E é tudo o que a senhora ganha fabricando esses belos tamboretes de bambu, 50 paisas?

– É.

O então jovem Yunus, que hoje tem 81 anos, decidiu dar dinheiro para Sufia e suas vizinhas poderem se livrar do intermediário. Isto foi possível com US$ 27. E foi ali que nasceu o Grameen Bank, que hoje tem 2.565 agências, presta serviços em mais de 81 mil aldeias, cobrindo 97% do total da área rural de Bangladesh, ainda um país muito pobre. Um detalhe importante: os empréstimos são oferecidos para as mulheres, e os funcionários do Grameen Bank são capacitados a irem aos locais, conversar com as pessoas. A preferência é oferecer o benefício a grupos de trabalhadores, a juros que vão de 12 a 16% ao ano.

E mais: segundo Yunus, o empréstimo deve ser dado, preferencialmente, a um grupo, estimulando que o dinheiro seja usado para comprar algo que possa ser vendido, por exemplo. O grupo dá uma sensação de segurança. O Grameen Bank criou uma forma de pagamento diária, mais fácil de controlar. O tomador do empréstimo se sente, assim, estimulado porque, mesmo pagando centavos, consegue ver outros centavos ficando em seu bolso.

No caso do Brasil, o valor da prestação será retirado do Auxílio no mês seguinte, o que pode ser muito difícil para os tomadores. É preciso ter campanhas avisando sobre isso o tempo todo.

Estamos falando de pouco dinheiro chegando nas mãos de quem precisa muito. E de quem está, há muito tempo, excluído do sistema. A situação é delicada e não pode ficar nas mãos de bancos que, por motivos óbvios, terão sempre, por princípio, que buscar o lucro. E somente o lucro.

*Este texto foi originalmente publicado no site da Escola Monte Alegre

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Homeopatia ou alopatia? O que importa é a relação de confiança entre médico e paciente

A primeira viagem que fiz ao Arquipélago do Bailique, que fica no Amapá, quase na fronteira com a Guiana Francesa e a 200km da capital Macapá, foi em 2014. Naveguei pelo Amazonas, dormi algumas noites numa rede instalada num barco, e vivi dias mais intensos do que quando peguei dois aviões e desembarquei em Shangai, na China, anos antes. Conheci o Brasil profundo, percebi suas agruras,  mas sobretudo aprendi a respeitar a capacidade que nós, humanos, temos de transformar e criar.

Eu estava ali, como repórter e, na época, colunista do site G1, para registrar o processo de produção do primeiro Protocolo Comunitário brasileiro. Na época, o Arquipélago tinha cerca de onze mil pessoas (hoje são cerca de treze mil) que, sob orientação do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), estavam prestes a determinar limites de acesso a recursos genéticos, uma das exigências do Tratado Internacional de Nagoya, que o Brasil assinou em 2011, e só ratificou no ano passado, dez anos depois.

Ouvi muitas histórias, claro. Para fechar o pensamento que quero trazer hoje, pinço o depoimento da parteira Elza Pereira, inesquecível para mim. Mulher alta, bonita, Elza foi a  primeira a falar no último dia do Encontro das comunidades do Bailique porque precisava seguir viagem mais cedo para aproveitar a maré. Elza morava numa das ilhas mais distantes, perto mesmo da Guiana Francesa, explicando-se assim o fato de falar também o francês fluentemente.

Elza Pereira no encontro, no Bailique, para debater sobre acesso a recursos genéticos. Foto Amelia Gonzalez, 2014

 Elza encantou a plateia com uma fala assertiva. Afirmou conhecer as barrigas de mulheres grávidas e perceber, no olhar, sehá algo errado com a gravidez. E lamentou o fato de que seus remédios, considerados caseiros, não terem valor algum para a medicina tradicional:

‘Hoje tem Posto de Saúde na minha comunidade, mas lá não tem os remédios que a gente sabe que dá resultado. Casca de andiroba contra diabetes; folha de chicória para dor de cabeça; argila contra dor de dente… Por que a gente não pode dar esses remédios?”

A pergunta de Elza ecoou, ganhou aplausos das pessoas que estavam ali corroborando seus pensamentos. O saber tradicional dos povos das florestas não pode, não deve, ser menosprezado. Nem pela Ciência.

Minha memória é uma peça. Os pensamentos vão chegando e costurando, formando às vezes o mosaico que eu estava buscando. Na última semana, circulou um artigo da cientista Natalia Pasternak em que ela afirma que a homeopatia é nada. Adepta da medicina com base científica, de quebra, em seu artigo, ela menospreza o saber tradicional. Daí eu ter me lembrado de dona Elza, a parteira.

Meu instinto de jornalista funcionou. E além de me lembrar de Elza, quando li o artigo busquei saber a opinião de meu médico, homeopata e acupunturista, Mauricio Tatar (autor do livro “Cuidar de Si”, escrito por mim). Mandei-lhe o artigo, e achei que ouviria dele um argumento radical. Mas me surpreendi:

“Se fosse em outro momento, eu responderia com irritação. Mas aprendi que não vale a pena, que não é preciso convencer ninguém. O que importa mesmo é a relação do médico com o paciente. E o que precisamos, de fato, hoje, é melhorar essa relação. Não se pode substituir o médico por uma máquina, e esta é a tendência”.

Mauricio Tatar contou-me sua experiência, assim que se formou médico, no Instituto Weizman de Ciência, em Israel. Ali ele tinha todas as ferramentas necessárias para fazer pesquisa. Estudou, escreveu o projeto, saiu de lá e voltou para o Brasil com a certeza de que o que mais queria era lidar com pessoas, não com bichos de laboratório. Por isso buscou a homeopatia, especialidade médica que, segundo ele, dá uma atenção especial à história das pessoas.

“Precisamos restabelecer essa relação, como existia antigamente, o médico de família. Acabou sendo substituída por pílulas salvadoras, isso não é bom. A homeopatia não nega os avanços da Ciência para tratar as pessoas, mas insiste na relação com o médico. Até porque o Brasil tem muita gente que não tem acesso a exames, remédios sofisticados. Como elas se tratam?”, pergunta o médico.

Tatar conta ter observado em seu consultório, não poucas vezes, que o paciente consegue se sentir melhor somente ao contar sua história e ser ouvido com paciência e carinho.

“Eles falam: ‘estava com uma dor de cabeça ali na sala de espera, mas passou durante a consulta’. Isto não é milagre, é a atenção que eu dou, as pessoas precisam disso. E mais: quando o paciente confia no médico, é mais fácil que o medicamento dê resultado”.

Mas Mauricio entende que hoje as pessoas têm pressa. Querem se livrar logo dos sintomas. Por isso usam medicamentos que prometem mais rapidez. Por isso usam tantos medicamentos: “Se a dor não passa com 5mg, então aumenta-se a dose”, disse ele.

Quanto mais eu penso sobre tudo isto, mais encontro similaridade com as questões climáticas, meu foco de estudo. Mais especificamente, com a complexidade que envolve a relação do homem com a natureza, o que vem causando mais intensidade dos eventos extremos. Não temos tido a escuta necessária, o carinho necessário com nosso entorno.

 Estamos extraindo do meio ambiente mais do que necessitamos, justamente porque temos pressa e queremos infalibilidade, conforto, segurança, riqueza, saúde etc, etc. Sem levar em conta que o tempo da natureza é outro, que seus bens são finitos. Sem considerar, nem mesmo respeitar, o conhecimento adquirido pelos povos que acatam este tempo e, por isso mesmo, têm uma relação mais reverente com a natureza.

Talvez seja este o caminho que precisamos trilhar.

No livro “One planet”, uma espécie de súmula do que foi debatido na primeira Conferência Mundial do Meio Ambiente convocada pela ONU, há exatos 50 anos, em Estocolmo, os autores Barbara Ward e René Dubos já traçam aquele como um momento crítico do planeta. O debate da época, nos países ricos, girava em torno da intervenção do homem sobre a Terra e sobre a necessidade de se preservar uma unidade e, ao mesmo tempo, respeitar tradições, crenças e diversidade.

A tarefa deixada pela ONU para os pouco mais de noventa países que participaram da reunião era definir o que deve ser feito para manter o planeta Terra um lugar adequado para a vida humana não apenas naquela época, mas também para as gerações futuras.

Ainda estamos devendo, como vemos frequentemente.

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O caminho do ativismo ambiental desde a ‘Rio-92’ à ‘Rio+30 Cidades’ que vai acontecer em outubro

Outubro vai ser um mês intenso para os cariocas. Não bastassem as eleições, que prometem concentrar uma carga feroz de posições polarizadas, teremos na cidade a Conferência Internacional Rio+30 Cidades, que acontecerá nos dias 17, 18 e 19. O evento é, em parte, comemorativo: em 1992 sediamos a primeira Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que se chamou Rio ou Eco-92, convocada pela ONU. Ao final daquela reunião, ficou estabelecido que haveria uma outra cúpula mundial, nos mesmos moldes, dez anos depois, o que aconteceu na cidade de Johanesburgo, na África do Sul. Em 2012, o encontro voltou a ser no Rio de Janeiro, no Riocentro, e recebeu o nome de Rio+20.

Foto de arquivo pessoal de Severn Suzuki divulgada na edição do Razão Social de abril de 2012, pouco antes de acontecer a Rio+20, em reportagem de Camila Nobrega

Já se passaram dez anos, portanto. (O tempo passa sem pedir licença, não acham?). E na quarta-feira, dia 30 de março, estive no Museu do Amanhã, a convite da Prefeitura do Rio, para o lançamento da Conferência atual, que agrega o nome Cidades no título.

A plateia do auditório do Museu estava bem cheia, e era possível perceber que a grande maioria dos presentes representava organizações da sociedade civil. Uma pessoa entregou ao prefeito o prêmio de inimigo da natureza. O prêmio foi recebido com ironia por Paes, que assegurou que já estava “com saudades desses prêmios”.

Por que Paes mereceu a premiação? Talvez a ferida causada pela remoção de 340 árvores de um terreno na Tijuca para construir um prédio não esteja fechada, embora tenha acontecido no ano passado. A gestão passada de Paes foi marcada também pela construção totalmente inadequada de uma ciclovia na orla, que caiu duas vezes e causou a morte de um homem. Atualmente, Paes acumula ainda algumas agruras ambientais, como a falta de árvores urbanas: a Prefeitura tira muitas árvores, mas nada costuma ser plantado em seu lugar.

Enfim, sempre haverá motivos para se criticar autoridades governamentais versus descaso com o meio ambiente, e sempre haverá quem menospreze tais motivos, tanto quanto quem os escreva com cores fortes.  Para quem está nessa estrada há duas décadas, como eu, não é mais novidade.

Importante, então, é aproveitar esse tempo de comemoração para transformar a efeméride em uma data produtiva, que possa alimentar o debate sobre meio ambiente. Seria injusto dizer que nada foi feito de trinta anos – data da primeira Rio – até agora. Mas, considerando os últimos relatórios lançados pelos cientistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC na sigla em inglês), muito ainda precisa ser feito pelo meio ambiente. E, considerando os últimos relatórios que a ONG Oxfam lança anualmente, nos quais a desigualdade social está sempre em ascensão, o desenvolvimento continua privilegiando apenas alguns.

A Conferência Rio+30 Cidades terá tudo aquilo que já estamos habituados a ver em outras conferências do Meio Ambiente. A diferença geográfica desta para a Rio+20 é para melhor: enquanto há dez anos os encontros ficaram concentrados no Riocentro, ou seja, um local de difícil acesso, desta vez o Museu do Amanhã, no Porto, e o Museu de Arte do Rio (MAR), que fica em frente, serão os locais mais utilizados. Haverá também eventos paralelos em três armazéns portuários. O encontro das organizações da sociedade civil, que costuma ser palco para eventos culturais, deve acontecer na Praça Mauá. É bom para estudantes, por exemplo, que terão mais facilidade para chegar.

Outra coisa boa: de forma simultânea, vai acontecer o 8º Fórum Global do Pacto de Milão, que debaterá as políticas locais para o aumento da segurança alimentar. Tema indispensável. Ainda não foi divulgada a lista das celebridades estrangeiras aguardadas, mas certamente vão agitar o debate.

Aqui, é importante fazer uma distinção: há diferença entre Rio-92 e COP (Conferência das Partes), embora ambas sejam convocadas pelas Nações Unidas. A Rio-92 fala sobre desenvolvimento e meio ambiente, enquanto a COP foca nas mudanças climáticas, nos efeitos provocados pelos gases poluentes que, como se sabe, têm sido emitidos cada vez mais e mais desde a Revolução Industrial. Resultado de desmatamento e da industrialização acelerada.

Os organizadores do evento prometem que a agenda da Rio+30 cidades será focada no desafio de se tentar diminuir as desigualdades sociais. A premissa, dita por Paes, é que só haverá crescimento econômico se a desigualdade diminuir. Esperamos que o documento final trace novas ideias de políticas públicas eficazes nesse sentido.

Haverá também, quase certamente, um ou uma personagem/símbolo da geração mais nova para mandar um recado contundente que será replicado milhares de vezes até… bem, até cansar. Sem resultado prático.

Na Rio-92, essa personagem foi Severn Suzuki. Lembro-me muito bem dela porque, na época, eu trabalhava como subeditora da Editoria Rio do jornal O Globo, ou seja, fiquei nos bastidores, editando páginas que iriam para as bancas no dia seguinte. Ainda era assim que funcionava o jornal. A estudante canadense Severn, na época, tinha 12 anos. Meio descabelada e com um vestido simples, ela subiu ao púlpito reservado às autoridades, deu seu recado: pediu aos líderes que fizessem algo para reduzir o impacto ambiental, diminuir desigualdades e erradicar a fome.  E ficou famosa.

Dez anos depois, já como editora do caderno “Razão Social”, dei à repórter Camila Nóbrega a tarefa de encontrar Severn Suzuki para a nossa edição especial da Rio+20. Camila entrevistou a canadense, que já virara uma bióloga, tinha um filho e continuava uma ativista ambiental (veja aqui a reportagem).

Busquei, hoje, mais informações sobre Severn. E descobri que a frase que ela fez ecoar – “Eu sou apenas uma criança e não tenho todas as soluções” – acabou virando o título de um filme de animação – “Only a child” – baseado em seu discurso (veja aqui o trailer). Ou seja: a menina que calou os líderes da Rio-92 continua lutando por melhorias no meio ambiente.

Vamos aguardar a Rio+30. E, só para registro, acho bom que entre o tema “cidades” no título. Amplia o debate para que se possa pensar numa urbanização mais inclusiva e voltada ao bem viver.

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A história do futuro contada por uma galinha

Quer saber o que vai acontecer no futuro num mundo cada vez mais estressado pelas mudanças climáticas? Mais do que isso: quer testar um meio quase infalível de conseguir a atenção das crianças para o tema? Então chame a meninada, encontre um computador e assista, em conjunto, à websérie “Kigalinha”, que vai ao ar todas as quartas-feiras no site do International Energy Initiative – IEI Brasil. O primeiro episódio já está no ar e pode ser visto aqui.

A galinha Kigalinha, que ensina as crianças o que se deve saber sobre o aquecimento global e seus efeitos

Talvez seja bom ter algum subsídio, até para os adultos se interessarem. Nesse caso, vale explicar a websérie.

Kigalinha é o nome de uma galinha que veio do futuro para avisar aos habitantes da Terra que os efeitos das mudanças climáticas serão cada vez mais avassaladores. E a bichinha escolhe o Brasil, mais especificamente uma comunidade da cidade do Rio de Janeiro, para contar sua história. Fazendo mais um corte, Kigalinha procura e encontra Chico, o garoto que vai fazer essa viagem ao futuro com a ave.

Kigalinha não recebeu este nome à toa. Na verdade, a ideia do IEI Brasil, em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (ICS) é trazer à baila o tema do Acordo de Kigali, assinado em 2016 por 193 países, que se comprometiam a reduzir o uso do gás hidrofluorcarbonetos (HFC), que causa mais danos à atmosfera do que o CO2. O Acordo de Kigali (chamado assim porque foi assinado em Kigali, capital de Ruanda) propõe que o emprego de HFC, usado como fluido em equipamentos como geladeiras, freezers e aparelhos de ar-condicionado, seja reduzido entre 80% e 85% até meados do século.

A cidade africana, de 12 milhões de habitantes, será assim conhecida pelas crianças que acompanharem a websérie.

Ocorre que, como nós já vimos acontecer algumas vezes, o Acordo de Kigali foi apenas parcialmente cumprido. Até 2019, ou seja, três anos depois de terem firmado o compromisso, somente os países desenvolvidos tinham tomado providências para diminuir o uso de HFC. Com a entrada do negacionista Donald Trump em cena, até mesmo Estados Unidos, que chegou a assinar o Acordo de Kigali, não se movimentou neste sentido.

Mas, aparentemente, as coisas estão começando a mudar. Quando tomou posse, o novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, assumiu, no discurso oficial, o compromisso de pôr seu país novamente à mesa das negociações para conter o aquecimento. E conclamou a parceria com outros países que tentam reverter as mudanças do clima para não se chegar ao fim do século com um aquecimento maior do que 1.5 a 2 graus.

Antes de se envolver absurdamente numa guerra, Biden – vejam vocês como essa nossa era é cheia de paradoxos – deu ordens para que sua equipe recupere o papel dos Estados Unidos no Acordo de Kigali, até agora ratificado por 112 nações. Querem mais um exemplo de paradoxo? Lá vai:

O primeiro país que assinou a ratificação do Acordo de Kigali foi Marshall, uma das nações-ilha do Pacífico. Trata-se do lugar mais ameaçado do planeta pelos eventos extremos causados pelas mudanças climáticas.  Seus 62 mil habitantes já tiveram que conviver com o terror das bombas nucleares norte-americanas, pois os Estados Unidos fizeram do local uma espécie de laboratório para testar suas armas nucleares. Hoje os marshalleses ainda não estão livres desse pesadelo, já que há riscos de vazamento radioativo com a subida do nível do mar. E seu território pode desaparecer do Pacífico se a pequena faixa de terra que habitam for cada vez mais submersa pelo mar.

Sobre o envolvimento do Brasil no Acordo de Kigali, pelo menos até um ano atrás estava nas mãos do presidente da Câmara, deputado Artur Lira, botar em votação a ratificação. Se ratificado, é possível que o país possa dar alguns passos em direção a uma sinalização positiva aos investidores sobre seu compromisso com a economia de baixo carbono.

Segundo um estudo feito pelo ICS em cooperação técnica com o Lawrence Berkeley National Laboratory (LBNL), aparelhos de ar condicionado mais eficientes produziriam um impacto de R$ 57 bilhões na economia nacional até 2035. Desse total, R$ 30 bilhões deixariam de ser gastos pelo governo na geração de energia elétrica. Outros R$ 27 bilhões seriam economizados pelos consumidores na conta de luz.

Tudo isso para dizer que vale a pena assistir a websérie. E vale a pena trazer a criançada para refletir sobre o tema. Afinal, cada vez mais é do interesse das novas gerações encontrar soluções que possam dar um melhor rumo aos estragos que já estamos causando ao ambiente. De quebra, os desenhos são bem bonitinhos e as locuções estão muito boas.

Este texto foi originalmente escrito para o site Entrenós, da Casa Monte Alegre, escola infantil localizada em Santa Teresa, Rio de Janeiro

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No Dia da Conscientização sobre Mudanças Climáticas, lembranças da primeira Conferência há 50 anos

Leio no site da Fiocruz que hoje se comemora o Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas. A data foi definida por uma lei federal de 2011, e eu ainda não tinha tomado conhecimento dela. Talvez para me redimir do que pode ser julgado como descaso, caminhei pela manhã pensando em ajudar, já que o objetivo da lei é estimular os cidadãos comuns e empresas a se conscientizarem da importância de diminuir o agravamento dos impactos das mudanças do clima. E, como o que sei fazer é escrever e fazer circular informações, é o que pretendo fazer aqui.

Na pista Claudio Coutinho, uma das paisagens mais belas do Rio de Janeiro. Foto Amelia Gonzalez

Escolhi um outro caminho para a minha caminhada matinal que, a propósito, tenho que fazer cada dia mais cedo porque o Rio de Janeiro, onde moro, vem se transformando numa ilha de calor ainda mais quente a cada ano que passa. Sou teimosa em achar que os tocos de árvores que encontro mais do que gostaria nas ruas por onde ando são, em parte, responsáveis pelo desconforto. Mais árvores, menos calor e, nas chuvas, menos chance de alagamentos.

 A Prefeitura do Rio garante que tem plantado muitas mudas, e não há motivos para não se acreditar nela. Mas eu gostaria muito de ver uma operação casada: árvore cortada num dia e, no dia seguinte, a Secretaria de Obras no local para preparar a calçada para receber nova árvore. Mas não é o que vejo.

Voltando à minha caminhada e aos meus pensamentos, lembrei-me que neste ano de 2022 se comemoram os 50 anos da primeira Conferência Mundial de Meio Ambiente que se realizou em Estocolmo em 1972. A reunião aconteceu em junho, portanto vamos ter comemorações pela efeméride daqui a pouco tempo. Como estudo o assunto, tenho aqui nos meus arquivos o texto final da Conferência, que foi convocada pelas Nações Unidas, à época comandada por Maurice Strong.

Ler este texto, sobretudo no momento que estamos atravessando, de uma guerra em meio a uma pandemia, é uma chance única de reflexão sobre o caminho que percorremos até chegarmos aqui. Quem tiver curiosidade, pode acessar neste link.

Alguns detalhes chamam atenção no texto, que teve 26 princípios. O primeiro ponto é a insistência em fazer referência ao “ambiente humano”, num tempo em que ainda não se mencionava o “desenvolvimento sustentável”. Mas já há citação ao imbróglio – ainda sem solução –  entre proteção ambiental e processo de desenvolvimento econômico.

Pelo texto, é fácil perceber que os humanos de então ainda não sabiam que os bens naturais são finitos. Ou, pelo menos, acreditavam que alguns deles se renovam com facilidade.  Vejam o que diz o princípio 3 do texto:

“A capacidade da terra (sic) de produzir recursos renováveis ​​vitais deve ser mantida e, sempre que possível, restaurada ou melhorada”.

E, agora, o que diz o princípio 5:

“Os recursos não-renováveis da terra devem ser empregados de tal maneira a se evitar o perigo de exaustão futura e a se assegurar que seus benefícios seja divididos por toda a humanidade”.

Outro ponto a se destacar é o que as delegações dos 88 países que estavam na reunião deixam claro que a opção da humanidade deve ser no sentido de cada um cuidar de seu próprio território. A globalização só iria começar a se tornar presente anos depois.

Há referência também à necessidade de compensar as vítimas de poluições e a se assegurar que Ciência e Tecnologia sejam empregadas para identificar possíveis riscos ao ambiente e solucionar problemas para o bem comum da humanidade.

Mas que não se pense que a Conferência de Estocolmo foi um consenso. De forma alguma. O texto final foi intensamente lido, relido, e houve muitas contestações, até uma tentativa de boicote. Na época chamados de países subdesenvolvidos, os pobres tiveram que contar com a ajuda de organizações não-governamentais para levantarem a questão da desigualdade social e fazer constar no texto final.

E aqui estamos nós, meio século depois, com muitos avanços tecnológicos e científicos que, de fato, fizeram bem à humanidade. Não fosse a Ciência, por exemplo, a conseguir isolar o Corona vírus e produzir vacinas, teríamos perdido muito mais pessoas do que perdemos na pandemia.

 Ao mesmo tempo, não podemos esquecer também que a pandemia foi, segundo muitos especialistas, causada por uma maneira totalmente desastrada de os humanos lidarem com os animais silvestres. E de utilizarem a terra para criar bichos e alimentá-los para a própria alimentação.

Hoje somos muito mais do que éramos há 50 anos. Vivemos mais, temos mais facilidades, mas deixamos de aprender muito também. Como, por exemplo, que plantar árvores é imprescindível para dar qualidade de vida às pessoas em grandes cidades.

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Olhos nos olhos

Entre as manias que eu tenho, uma é assistir a esses programas em que profissionais fazem uma transformação – para melhor – na vida das pessoas. Gosto também daqueles que mostram casas lindas e maneiras de viver que a gente nem imaginava que existiam, como os que decidem construir mini casas em quintais mundo afora. Adoro ver, sobretudo, os cenários e o jeito como é possível fazer com que tudo fique mais bonito, leve, colorido, às vezes com nada de dinheiro.

Minha última mania tem sido “Restaurantes em risco”, na Netflix, é claro. É assim: alguém tem um restaurante em algum lugar incrível, mas que não está dando certo, prestes a falir. Uma decoradora, um chef e um administrador de empresas (para cuidar da imagem) são chamados e fazem a transformação, deixando todo mundo feliz. Não há um que fim levou, para saber se o restaurante saiu do vermelho, mas eu gosto de acompanhar o movimento.

E, mais do que ver a mudança na cara do imóvel, no cardápio, o que ando gostando muito nesta série é que a produção está caprichando no sentido de nos lembrar, com alerta vermelho, que os donos do negócio precisam ter um olhar ao redor. Explico o que eu digo, com um exemplo: no primeiro episódio a equipe foi visitar o restaurante na Ilha de Malta, lugar paradisíaco. O dono, um jogador de futebol, apostou certo, organizando um cardápio com foco em peixes. Claro, ninguém vai a Malta para comer carne de boi.

Mas o moço decidiu, sabe-se lá por que, investir pesado em peixes importados. Agora, imaginem vocês: com todo o esplendor do Mar Mediterrâneo no quintal, ele servia aos parcos clientes peixes vindos da Noruega! O chef deu uma bronca e a primeira coisa que fez foi ir à feira, coisa que o nosso goleiro não fazia também. Todo sábado, barracas e mais barracas de peixes são vendidos a ótimos preços na esquina do restaurante. Mini anchovas, por exemplo, que eu aprendi que são mais ou menos como nossas sardinhas, podem ser compradas por centavos (de euro, claro, mas…).

Mudança do cardápio feita, a decoradora só precisou mexer em alguns pontos do salão, e o administrador saiu em campo, contando a todo mundo que ali tinha um restaurante sendo gerido por um jogador famoso. Era só o que precisava. Pelo menos a reabertura foi um sucesso.
Falar sobre mudanças de paradigma, como estão sendo propostas até pelo Papa Francisco, é falar também sobre fazer contato com o entorno. É mostrar ser possível, para os comerciantes, provocarem o desenvolvimento local. Cada um cuidando um pouco mais do seu pedaço. É do que se trata.

Gosto sempre de reler “O negócio é ser pequeno”, do economista alemão, já morto, E. F. Schumacher. Ele escreveu o livro em 1976, e logo depois sofreu um infarto fatal. Se estivesse vivo, certamente estaria sendo revisitado para contar o que conta em letras bem pequeninas em seu livro, que aqui no Brasil pode ser comprado em sebo, parou na terceira edição (79).

 Schumacher produziu ainda “A Guide for the Perplexed”, que não ganhou tradução brasileira, uma continuação do seu primeiro livro. Pretendia fazer uma trilogia, mas se foi antes.

George McRobie, que trabalhou com Schumacher, completou o trabalho e escreveu “Small is possible”, também sem tradução no Brasil, contando o que tem sido feito, por quem, para pôr em prática as ideias descritas pelo economista. Consegui comprar em sebo, é bem interessante.

Num momento como o que estamos vivendo, em que a gente se vê obrigado a olhar, perplexos, para uma situação tão macro da qual não damos conta, o melhor que me cabe – não sei a vocês – é olhar para o lado. Começo dando bom dia a vizinhos, perguntando de sua saúde, termino assistindo um bom programa de televisão que mostra o valor do contato, das relações pessoais, até para os negócios.

Não precisa dar beijinho no rosto ou apertar as mãos. Olho no olho já é tudo! 

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IPCC faz alerta que a humanidade não quer ouvir

No início da semana, pouco antes de começar a sessão emergencial da Assembleia Geral da ONU que ainda está debatendo uma resolução sobre a ofensiva militar russa na Ucrânia, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) lançou a segunda parte do relatório divulgado em agosto do ano passado. Com tintas ainda mais fortes, os cientistas do Painel – criado em 1988 para atualizar dados sobre efeitos das mudanças climáticas no planeta – avisam que o tempo não está contando a favor da humanidade na batalha contra o clima.

Para conter as ondas provacas por tsunamis, o Japão está construindo muros. A foto da é da agência Reuters, de 2018

Seria correto apontar para uma imensa contradição entre os dois eventos que citei acima?

 Na Assembleia, as nações põem em discussão a ofensiva da Rússia tendo como base a Carta das Nações Unidas. Trata-se de um “guia atemporal para enfrentar os desafios que partilhamos e corrigir as fragilidades do mundo”, assinado há 75 anos, que prega valores bem esquecidos. No relatório do IPCC, a busca é para conscientizar as pessoas de que há uma revolução em curso, da qual a humanidade sairá, certamente, como perdedora. Ambos têm as Nações Unidas como base.

Onde eu vejo o paradoxo? É que um evento não dialoga com outro. Como se nossa referência não fosse o mesmo planeta. Como se não estivéssemos vivendo a degradação dos bens naturais e os eventos extremos causados pelas alterações climáticas que, segundo os cientistas já provaram, são de responsabilidade das atividades humanas.

O relatório do IPCC, chamado AR6, é um trabalho feito por 330 cientistas que não ganham um tostão para emprestar seu conhecimento à humanidade. Ao todo, são 34 mil estudos que encerraram uma mensagem forte: aproximadamente 3,3 a 3,6 bilhões já vivem em contextos altamente vulneráveis às mudanças climáticas. A crise climática está instalada e é inseparável da crise da biodiversidade, da pobreza e desigualdade sofridas por essas pessoas.

Esta é a questão central: vidas de pessoas estão em risco. Vidas de bichos, plantas e corais também. Mas há nações que se ocupam em criar conflitos que comprometem o valor da vida. O que terá mais peso do que isto?

Feito meu desabafo, certa de que não terei resposta para minha indignação, voltemos a centrar no relatório, que pode ser lido aqui em espanhol. As notícias não são nada boas para quem quer preservar vida, e vida com qualidade.  Os cientistas dão conta de que metade da população mundial já está sofrendo, por exemplo, por falta de água. E uma, em cada três pessoas, está exposta ao “estresse térmico mortal” – muito frio ou muito calor – fenômeno que deve aumentar para 50% a 75% até o final do século. América Central e América do Sul estão altamente expostas às condições climáticas, vulneráveis à seca e, consequentemente, à insegurança alimentar.

O relatório assume que houve progresso – não está claro de quanto tempo para cá – no planejamento e implementação de adaptação em várias regiões. No entanto, aponta uma desigualdade. E há também, talvez por falta, justamente, de uma concertação internacional, atitudes que apenas aparentam dar certo.

“Muitas iniciativas priorizam a redução imediata e de curto prazo dos riscos climáticos, o que diminui a oportunidade de adaptação que realmente leve à transformação”, diz o texto.

O biólogo marinho alemão Hans-Otto Pörtner, copresidente do Grupo de Trabalho do relatório AR6, falou à imprensa e trouxe alguma esperança. É possível ainda pensar em recuperação.

“Ao restaurar ecossistemas degradados e conservar de forma eficaz e equitativa 30 a 50% da terra, água doce e habitats oceânicos da Terra, a sociedade pode se beneficiar da capacidade da natureza de absorver e armazenar carbono, e podemos acelerar o progresso em direção ao desenvolvimento sustentável, mas finanças e políticas adequadas apoio são essenciais”, disse ele.

Quero me ater a este depoimento porque ele aponta uma saída. Pörtner fala em restaurar ecossistemas degradados, o que é bem diferente de fazer compensações, como querem os estudiosos adeptos à “economia verde”.  Neste ponto, vou compartilhar com vocês a visão de Joel Bakan, que lançou em 2020 o livro “New Corporation”, uma continuação do “The Corporation” (2003), sempre com críticas construtivas ao papel das empresas na recuperação do estrago, grande parte causado justamente desde a Revolução Industrial, no século XVIII.

Bakan combate o mecanismo das compensações, que dá às empresas o direito de poluir ou usar ao máximo um bem natural como a água, desde que elas compensem em outro lugar, financiando projetos ou outros sistemas. Para ele, embora seja incerto, para o meio ambiente, contar com os benefícios das compensações, é real o dano causado por elas às pessoas. Este é o ponto. O relatório do IPCC fala em poupar vidas, em melhorar a qualidade de vida. É disso que se trata.

“Se uma companhia de energia holandesa compensa as emissões de uma nova usina a carvão financiando a preservação da floresta em Uganda, seis mil habitantes da floresta são despejados pelo governo ugandense, por exemplo”, conta Bakan em seu livro, que infelizmente ainda não tem tradução no Brasil.

Combater a crise climática exige um esforço coletivo por parte, sobretudo, das empresas que fazem seu negócio com base nos bens naturais. Será preciso que as pessoas também se acostumem com um sistema diferente, onde menos tem que ser mais. A essa união se chama concertação. E é preciso que se tenha um objetivo comum. No caso, nada menos do que a vida de tantos que se tornarão cada vez mais vulneráveis às secas, tempestades, furacões. O relatório tem, por exemplo, um capítulo dedicado às cidades, que valeria muito a pena ser estudado com afinco pelos prefeitos.

Enquanto escrevo, passo os olhos pelos sites e fico estarrecida com as fotos dos horrores da guerra. E me vem uma estranha sensação de que estou vivendo em outra dimensão. Ainda mal terminamos de enfrentar uma pandemia, os efeitos adversos das mudanças climáticas se aceleram, e mesmo assim há países se preparando para uma guerra.

Que o valor da vida fale mais alto, nem se que seja por um breve momento, diante de tantos absurdos.

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A história dos besouros rola-bostas

Próximo ao Lago Sagrado, no Templo de Karnak, na cidade de Tebas, no Egito, há várias estátuas feitas em pedra. Uma delas é a de um imenso escaravelho, mais conhecido por nós como besouro. Milhares de turistas passam por ali, mas talvez uma pequena minoria se dê conta da homenagem feita por aquela civilização, que tem cerca de cinco mil anos, a um pequeno inseto.

A capa do Atlas dos Insetos, da Fundação Böll

Eu também jamais estaria contando isso para vocês, não fosse o Atlas dos Insetos, editado pela Fundação Heinrich Böll Stiftung, ter trazido essa história. No Egito, o escaravelho tem uma alusão religiosa, já que esses insetos eram considerados como símbolos da ressurreição. Os egípcios os usavam como amuletos e os esculpiam em tumbas e sarcófagos de grandes faraós.

Aqui no Brasil, o escaravelho recebe um nome bem prosaico: rola-bosta. É uma referência ao hábito que ele tem de remover e manipular, em formato esférico, porções de fezes. Essas “bolas” de fezes são transportadas, enterradas e utilizadas por eles para construção de ninhos e para a alimentação de larvas e de adultos. Esses insetos alimentam-se principalmente de fezes de mamíferos, mas também podem se alimentar de fungos, frutas ou carcaças de animais em decomposição.

Para os egípcios, o sol nascia e morria todos os dias. Eles acreditavam, assim que o deus Khepri se transformava em um besouro rola-bosta, a fim de “rolar” o sol de um lado para o outro.

Justamente por livrar o pasto das fezes, esses bichos são importantíssimos para o ecossistema. E como livram os quadrúpedes das moscas que picam sua pele os deixam estressados e feridos, também são importantes para os bois e vacas. Além disso, quando movem os excrementos para debaixo da terra eles permitem que nasçam gramíneas. Por serem extremamente sensíveis à degradação do ambiente, são considerados bioindicadores de conservação ambiental, motivo pelo qual são usados em estudos para avaliação de riscos gerados pela perda da biodiversidade no mundo.

Neste ponto, a história do escaravelho começa a ser manchada pelas atitudes humanas. É que, para evitar que o gado fique doente, os produtores aplicam remédio nos bichos, principalmente a ivermectina. A maior parte da eliminação desses remédios é feita pelas fezes, o que gera uma diminuição considerável da atuação dos rola-bostas. Consequentemente, o pasto fica cheio de cocô, ali não nasce grama e o resto é o que já sabemos: o ecossistema fica extremamente prejudicado.

Mas a história do escaravelho ou rola-bosta é apenas uma. Os insetos representam cerca de 70% de todas as espécies animais do mundo, e por isto mereceram uma edição bem caprichada, com muitos fatos e muitos dados. Entre outras coisas, é bom lembrar: os insetos polinizam, logo são responsáveis pela nossa comida. Os insetos polinizam três quartos dos plantios mais importantes e impulsionam sua produtividade. Sim, claro, há também aqueles que podem acabar com uma plantação, mas a quantidade de insetos benéficos é muito maior.

Há também a possibilidade de os insetos serem, eles próprios, o alimento. Em mais de 130 países, as pessoas comem insetos que contém muitos nutrientes eficazes contra a desnutrição causada, como se sabe, por má distribuição de alimentos. Não por falta deles.

No entanto, apesar de sua importância inquestionável, a agricultura intensiva, as monoculturas e os agrotóxicos estão fazendo com que tanto a diversidade quanto os números absolutos de insetos estejam diminuindo dramaticamente. O que fazer? Políticas públicas que possam mudar o cenário atual.

Já está mais do que provado que a agroecologia, os sistemas agroflorestais, que não utilizam fertilizantes ou produtos químicos em sua produção, é a melhor maneira de preservar e respeitar o meio ambiente, ao mesmo tempo que se faz uso dos bens que ele nos oferece. Mas isto não é levado em conta. A Câmara dos Deputados acaba de aprovar o texto-base (veja aqui: https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/02/09/camara-aprova-projeto-que-facilita-autorizacao-de-agrotoxicos.ghtml) de um projeto de lei que flexibiliza o controle e a aprovação de agrotóxicos no país. Como se fosse preciso: só em 2019, o governo federal liberou 503 novos agrotóxicos, sendo 41% altamente ou extremamente tóxicos, segundo o Atlas dos Insetos.

Na Dinamarca isto foi resolvido com um imposto bem alto sobre os agrotóxicos. Caiu em um terço a carga tóxica anual dos agrotóxicos no país escandinavo. Mas também pode-se pensar em fazer um controle biológico de pragas para evitar os danos que os insetos possam fazer às plantações. Isto será mais bem sucedido se a diversidade de espécies e do ambiente forem maiores.

Um dos primeiros inimigos naturais utilizados em larga escala, com o objetivo de controlar danos provocados por pragas, é a joaninha. Elas conseguem comer de 40 a 75 pulgões por dia, o que faz com que sejam utilizadas em controle biológico, inclusive em áreas urbanas. Elas também têm história, contada no Atlas que pode ser acessado, gratuitamente, no site da Fundação: https://br.boell.org/pt-br/atlas-dos-insetos. Vale a pena ler e contar para as crianças.

  • Este artigo foi publicado originalmente no Espaço Entrenós, da Creche Monte Alegre
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Nós e os vírus

Na Petshop, a funcionária que me atendeu estava, visivelmente, gripada. Fala anasalada, nariz entupido e tosse bastante. Fiz o pedido, mas não consegui disfarçar um certo receio, mesmo usando máscara, e ela também.  Quando dei o cartão para pagamento, comentei:

Imagem do Corona Vírus

— Nossa, você está com uma gripe forte, hein?

A moça demonstrou, ligeiramente, ter ficado constrangida, e eu quase pedi desculpas. Mas ela negou:

— Não, começou agora uma tossezinha – disse.

Não estiquei a conversa. Tempos difíceis, esses que estamos vivendo. Por um lado, sim, fiquei incomodada porque, mesmo com as três doses da vacina, sei que posso ser infectada. Vou ter sintomas brandos, garantem os cientistas, mas vou ter sintomas. Amigos meus que estão vacinados com as três doses, mas se infectaram com a Ômicron, confirmam que os sintomas são brandos.  Mas dão conta de um mal-estar danado, muita preguiça, corpo pedindo cama. Não quero, nem posso passar por isso.

Por outro lado, sim, entendo que a moça fique preocupada, talvez não se sinta segura se faltar ao trabalho. Afinal, segundo os dados oficiais, há quase 14 milhões de pessoas sem emprego no Brasil, o que quer dizer que são poucas as chances de alguém ser demitida e conseguir colocação num curto prazo.

Eis a questão que se coloca hoje para uma grande maioria de brasileiros que não podem se dar ao luxo de cuidar da saúde. Sim, cuidar da saúde virou um luxo.

Visitei outra loja, a poucos metros daquela, dessa vez para saber o preço de um produto. A vendedora estava com uma máscara de pano que insistia em sair do lugar. Ela começava a falar, a máscara caía. De novo, pontuei o problema. Diferentemente da vendedora da Petshop, aquela não demonstrou nenhum tipo de constrangimento.

— Ih, pois é. Acho que preciso comprar outra máscara. Esta aqui está velha, caindo o tempo todo… – disse ela, sorrindo.

E, sorrindo, continuou a atender a clientela. Pensei em perguntar se a empresa não fornecia a máscara para ela trabalhar de forma segura – para ela e para os clientes – mas desisti. Depois me arrependi de não ter feito, mas já era tarde.

Nosso cotidiano pandêmico exige cuidado. Esta frase não é casual, não é clichê. Precisamos nos habituar a uma rotina que inclui máscara, higiene muito mais consciente e o afastamento social. Menos festas e eventos. Nosso convívio terá que ser mais familiar do que em sociedade. A pergunta é: isto é saudável para seres gregários, como somos?

A resposta é não, obviamente. Tanto que os profissionais de saúde mental mostram preocupação com os efeitos da pandemia no comportamento das pessoas. Há muito(a)s deprimido(a)s e o uso de drogas – lícitas ou não – está crescendo.

Em meio a tudo isso, ainda precisamos lidar com governos que tentam convencer que, para salvar a economia, é preciso correr o risco de sacrificar vidas.  Foi assim que vimos, durante o tempo em que, de fato, nos fechamos em casa, muitos trabalhadores arriscando-se, não só conduzindo transportes públicos, como buscando um frágil equilíbrio em motocicletas ou bicicletas para fornecer os alimentos que precisamos.

O mundo é injusto e não ficou menos injusto com a pandemia. Enquanto eu me preocupava com a minha saúde e com a possibilidade de ser infectada pela moça que me servia na loja, imaginava quantos outros funcionários estavam, naquele momento, enfrentando ônibus e trens lotados, com aglomeração que possibilita muito mais contágio. No entanto são pessoas que, talvez, não sejam vítimas de depressão, justamente porque estão se relacionando mais e mais ativas.

Há diversas soluções sendo apontadas por quem estuda o problema. Parte delas tem a ver com uma mudança estrutural da maneira que costumamos reagir às doenças. Quantas e quantas vezes não fomos trabalhar gripados? Agora já temos mais consciência do problema e dos perigos do contágio.

Parte das soluções, a maioria, no entanto, deve vir dos governantes. São eles que precisam se organizar para novos tempos. E esta organização tem que ser rápida. Há muito a ser feito, desde adaptação das cidades às pandemias, até criação de empregos que possam abarcar a quantidade de pessoas que foram demitidas, segundo uma nova ótica econômica. Menos tempo no emprego, semanas menores… são muitas as opções, e não faltam autores que se dedicaram a estudá-las. Kate Raworth, da economia Donut, é apenas uma delas. E sua teoria está disponível, já é realidade na cidade de Amsterdam, na Holanda.

Fato é que, assim como não dá para fechar os olhos à urgência de medidas contra as mudanças climáticas, também não se poderá fingir que voltaremos a um “novo normal” idílico depois da tormenta. Mas tem que encarar seriamente o problema, juntar os teóricos, promover estudos e, acima de tudo isso, botar em prática o resultado do trabalho.

“A guerra contra as pandemias recentes tem em comum com as outras guerras permanentes o fato de ser uma guerra irregular. O inimigo é elusivo, enganoso, não respeita as leis da guerra, não usa táticas convencionais, e o combate contra ele tem de pautar-se pelos mesmos meios para ser eficaz. Será a guerra contra a pandemia da Covid-19 uma nova guerra a acrescentar ao catálogo das guerras permanentes ou eternas? Sabemos que, enquanto não houver vacinas amplamente disponíveis, a guerra não termina. Até lá viveremos num período que caracterizo como de pandemia intermitente.”, escreve o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos em seu último livro “O Futuro começa agora”, escrito durante a pandemia e editado no ano passado pela Boitempo.

O pensamento de Boaventura de Sousa Santos está alinhado com os últimos números da pandemia que a ONU divulgou hoje, dia 12 de janeiro: entre os dias 3 e 9 do primeiro mês do ano surgiram 15 milhões de novos casos no mundo, um aumento de 55%. Este dado fez com que um grupo de especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) alertasse para o fato de que as atuais vacinas precisam ser adaptadas para continuarem eficientes contra a Ômicron e variantes futuras.  

E por último, mas não o menos importante nesta espécie de diário pandêmico, deixo registrada a fala da médica e Diretora-assistente da área de medicamentos e produtos de saúde OMS Mariangela Simão. Para ela, há motivos para se ter otimismo porque já há vacinas que nos protegem contra doenças graves e mortes. No entanto, uma rápida pesquisa feita no site que nos dá panorama sobre a vacinação no mundo mostra que um bilhão de pessoas ainda não receberam nenhuma dose. O que nos põe diante de um tremendo ponto de interrogação: a África é o continente que menos recebeu doses de vacina até hoje e, ao mesmo tempo, é o único que apresenta diminuição do número de casos de Covid.

A ciência saberá explicar. Voltando à Mariângela Simão, ela ressalta que é preciso muita cautela. E que o comportamento de cada pessoa tem um impacto na contenção da transmissão do coronavírus.  

“As medidas incluem evitar aglomerações, utilizar máscaras da maneira correta, higienizar bem as mãos e vacinar”, alerta a especialista.

Tudo aquilo que já sabemos. É só botar em prática.

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França proíbe embalagens plásticas nos supermercados

Os ares do novo ano chegam junto com uma boa notícia para os ambientalistas e todas as pessoas que se preocupam com o impacto à nossa saúde causado pelo excesso de produção e consumo. Na França, desde ontem, uma lei proíbe embalagens de plástico para algumas frutas e vegetais frescos. A proibição vai atingir supermercados e pequenos comércios. Nunca é demais lembrar que os supermercados cobram atualmente pelas sacolas plásticas, que antes eram gratuitas, mas não se negam a expor as embalagens.

O presidente Emmanuel Macron chamou a nova lei de “uma verdadeira revolução”. E anunciou, em reportagem publicada no jornal britânico “The Guardian” que a França estava, a partir de então,  assumindo a liderança global para eliminar gradualmente todos os plásticos descartáveis ​​até 2040.

As embalagens acima de 1,5kg estarão isentas, assim como frutas picadas ou processadas.  Tomates cereja ou frutas macias, como framboesas e mirtilos, terão mais tempo para permitir que os produtores encontrem alternativas ao plástico. Com cerca de 37% das frutas e vegetais vendidos embalados em embalagens de plástico na França em 2021, o governo acredita que a proibição cortará mais de 1 bilhão de itens de embalagens de plástico descartáveis ​​por ano. 

A julgar pelo resultado de uma pesquisa feita no país em 2019, a opinião pública está aplaudindo a iniciativa de Macron. O estudo mostrou que 85% das pessoas eram a favor da proibição de embalagens e produtos plásticos de uso único. Além disso, mais de dois milhões de franceses assinaram uma petição da ONG WWF pedindo aos governos mundiais que parem com a crise de poluição dos plásticos.

A causa é mais do que nobre e urgente, mas não será nada fácil mudar essa cultura. O plástico faz mal à saúde humana, já que para que ele tenha características que o tornem útil, uma variedade de produtos químicos é adicionada em sua produção. E também faz mal ao meio ambiente: resíduos de plástico e microplástico flutuando nos oceanos são uma questão muito discutida, embora poucos se deem conta de que a poluição plástica do solo pode ser de quatro a 23 vezes maior do que nos mares.

“O que torna o plástico útil é exatamente o que o torna prejudicial: ele persiste”, disse Barbara UnmüBig, presidente da Fundação Heinrich Böll, na introdução do “Atlas do plástico”, que a organização lançou no ano passado com “fatos e números sobre o mundo dos polímeros sintéticos”. Os dados que acabo de descrever foram reproduzidos do Atlas.

O estudo da Heinrich Böll, feito em parceria com a ONG Break Free From Plastics, conta o caminho que percorremos para chegar ao estarrecedor volume de 600 milhões de toneladas por ano, estimativa para 2025. Tudo começou depois da II Guerra Mundial, época que o historiador Eric Hobsbawn chama de Era de Ouro (1947 a 1973) em seu livro “Era dos Extremos” (Ed. Companhia das Letras). Hobsbawn chama de “espantoso período”, que assinalou o fim dos sete ou oito milênios de história humana iniciada com a revolução da agricultura na Idade da Pedra. Uma era em que a esmagadora maioria da raça humana vivia “plantando alimentos e pastoreando rebanhos”.

Corroborando com a análise de Hobsbawn, o Atlas do Plástico diz que, entre 1950 e 2017, foram produzidos cerca de 9,2 bilhões de toneladas de plástico, o que representa mais de uma tonelada por cada pessoa que vive hoje no planeta. O momento da grande virada a favor do plástico foi em 1978, quando a Coca-Cola substituiu suas garrafas de vidro por pets. A partir daí, foi uma febre. O leite deixou de ser vendido na porta, em vidro. Os remédios passaram a ser embalados em celofane.

Na década de 50, as pessoas ainda tinham algum cuidado em reutilizar o plástico. Mas, com o impulsionamento da economia pela necessidade de consumir mais produtos, a “semente da cultura descartável” foi plantada.

“O plástico é, ao mesmo tempo, resultado da globalização e um combustível que a alimenta. Compras online estão causando a acumulação de montes ainda maiores de lixo”, diz o relatório. No mar, e na terra.

Um capítulo do Atlas é dedicado justamente à indústria de alimentos, tema que afetou Emmanuel Macron a proibir o uso de plásticos nas embalagens. Plástico filme e espumas são usados para proteger os alimentos de danos, mantê-los frescos e torná-los atraentes.

 A questão é que os supermercados gostam de oferecer os mesmos produtos o ano todo e a embalagem garante que eles permaneçam frescos e possam ser transportados sem grandes danos. Além disso, o dinamismo da vida atual faz com que as pessoas busquem facilidades, o que inclui comida pronta, embalada. Aqui no Brasil, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Plástico (Abiplast), depois da construção civil (22,4%), o setor que mas consome transformados de plástico é o de alimentos (20,3%).

No mundo, segundo a Grand View Research, o tipo mais comum de embalagem para a indústria de alimentos é o plástico. E a maior parte do lixo plástico nos oceanos é proveniente de embalagens de alimentos descartadas.

Ainda por cima, por conta de não se ter muita confiança na pureza da água, nem mesmo com filtro, aqui no Brasil muita gente bebe água de garrafa… plástica. O problema disso é que os fabricantes (da água engarrafada) precisam listar o conteúdo mineral em detalhe, mas o microplástico, presente em altas doses, não aparece como ingrediente. Ou seja: estamos consumindo microplástico. Ainda não se sabe se faz mal, ou o quanto faz mal.

“O debate está apenas começando a respeito dos microplásticos no solo, na pecuária e nos alimentos”, diz o relatório.

A melhor solução? Não produzir tanto plástico. No entanto, sem plástico nenhum dos carros de hoje estaria nas estradas. Os aviões não estariam no ar. Olhe em volta que você vai se dar conta de outras tantas coisas que não teriam sido fabricadas, produzidas, sem o plástico. Na agricultura, ele é usado inclusive para cobrir algumas plantações e evitar, assim, que elas sejam danificadas por animais.  

É legítimo perguntar: como sair desse imbróglio? Há algumas soluções, assim mesmo, no plural. E é claro que reduzir a produção e o consumo de plástico encabeça a lista. Mas o Atlas do Plástico traz também o exemplo de uma pequena cidade italiana, chamada Capannori, que tem apenas cerca de 40 mil habitantes, mas que conseguiu criar uma política publica de Lixo Zero desde 2007. Termino este texto detalhando a iniciativa de Capannori. Quem sabe nos inspira um pouco?

“Entre as ações estão incluídas a minuciosa separação de diferentes tipos de resíduos, incentivos econômicos para reduzir a produção de resíduos e um esforço coletivo para reduzir o que não é considerado lixo não reciclável. Há lojas sem embalagens, fontes públicas de água, um centro para reunir doações de roupas com oficina de conserto. Fraldas laváveis são subsidiadas, e realizam-se desafios de Lixo Zero para engajar os cidadãos.”

Feliz Novo Ano para todos!

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