Tenho estado longe aqui do blog nessa época de COP 27 porque estou escrevendo para o site #Colabora.
Vou indicar aqui os dois textos que já estão publicados:
e
Mas hoje preciso escrever sobre o discurso do presidente eleito Lula da Silva na COP27. Não consigo deixar de compartilhar aqui com os meus leitores uma fala histórica. Desde 2003, quando comecei a estudar o tema do desenvolvimento sustentável eu acompanho essas conferências, fóruns e encontros que têm o clima como foco. Algumas delas conseguiram acordos, quase todos cumpridos apenas em parte ou descumpridos totalmente.
O Egito foi o palco da volta do Brasil à cena internacional. Trazendo para o debate o cerne da questão climática. Não se trata apenas de salvar as árvores para que elas possam fazer seu benfazejo trabalho de sequestrar o carbono que nos faz tão mal. Não se trata apenas de salvar as vidas de animais que precisam ter seu habitat salvo.
Trata-se de tudo isso, mais além: é de vidas humanas que se está falando. É de desigualdade social, é de fome, de miséria e de uma tremenda vulnerabilidade à qual estão submetidos milhões de seres humanos.
Lula mencionou os países insulares. São 43 pequenas nações no Pacífico, muitas que são apenas uma grande faixa de terra, e que por causa da elevação do nível do mar vão desaparecer. Isto não é pouco.
Segundo o relatório norte-americano Climate Science Special Report, desde 1993 o mar já se elevou sete centímetros. Desde 1900 são 18 a 20 centímetros. Pode parecer pouco, mas sobretudo quando há ressaca, este pouco torna-se muito.
Lula fez o link necessário: entre os eventos climáticos e a pobreza. Entre o paradoxal gasto de trilhões de dólares com a guerra enquanto há 900 milhões de pessoas em todo o mundo que não têm o que comer.
Falou sobre paz e mencionou bem estar. Não se esqueceu de valores civilizatórios e de respeito aos direitos humanos. E disse que estará a postos, como líder que hoje é ouvido e aclamado pelo mundo, para cobrar os compromissos assumidos.
Por causa do discurso de Lula, portanto, a COP27 não será uma retórica inútil, como denuncia a jornalista e ativista ambiental canadense Naomi Klein.
Por falar em Naomi Klein, outro assunto importante da COP, que abre a primeira matéria que escrevi para o Colabora, é a greve de fome do preso político Abd El-Fattah, cidadão britânico-egipcio. O fato põe às claras questões sérias de violações de direitos humano no Egito. A tal ponto que Naomi Klein, ativista ambiental, decidiu fechar seu twitter para qualquer assunto que chegue por parte das lideranças que estão nos debates da COP. Ela só noticia a manifestação de Abd El-Fattah e dá conta da existência de cerca de 700 presos políticos no país.
Não vivemos tempos fáceis.