Leio no site da Fiocruz que hoje se comemora o Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas. A data foi definida por uma lei federal de 2011, e eu ainda não tinha tomado conhecimento dela. Talvez para me redimir do que pode ser julgado como descaso, caminhei pela manhã pensando em ajudar, já que o objetivo da lei é estimular os cidadãos comuns e empresas a se conscientizarem da importância de diminuir o agravamento dos impactos das mudanças do clima. E, como o que sei fazer é escrever e fazer circular informações, é o que pretendo fazer aqui.

Escolhi um outro caminho para a minha caminhada matinal que, a propósito, tenho que fazer cada dia mais cedo porque o Rio de Janeiro, onde moro, vem se transformando numa ilha de calor ainda mais quente a cada ano que passa. Sou teimosa em achar que os tocos de árvores que encontro mais do que gostaria nas ruas por onde ando são, em parte, responsáveis pelo desconforto. Mais árvores, menos calor e, nas chuvas, menos chance de alagamentos.
A Prefeitura do Rio garante que tem plantado muitas mudas, e não há motivos para não se acreditar nela. Mas eu gostaria muito de ver uma operação casada: árvore cortada num dia e, no dia seguinte, a Secretaria de Obras no local para preparar a calçada para receber nova árvore. Mas não é o que vejo.
Voltando à minha caminhada e aos meus pensamentos, lembrei-me que neste ano de 2022 se comemoram os 50 anos da primeira Conferência Mundial de Meio Ambiente que se realizou em Estocolmo em 1972. A reunião aconteceu em junho, portanto vamos ter comemorações pela efeméride daqui a pouco tempo. Como estudo o assunto, tenho aqui nos meus arquivos o texto final da Conferência, que foi convocada pelas Nações Unidas, à época comandada por Maurice Strong.
Ler este texto, sobretudo no momento que estamos atravessando, de uma guerra em meio a uma pandemia, é uma chance única de reflexão sobre o caminho que percorremos até chegarmos aqui. Quem tiver curiosidade, pode acessar neste link.
Alguns detalhes chamam atenção no texto, que teve 26 princípios. O primeiro ponto é a insistência em fazer referência ao “ambiente humano”, num tempo em que ainda não se mencionava o “desenvolvimento sustentável”. Mas já há citação ao imbróglio – ainda sem solução – entre proteção ambiental e processo de desenvolvimento econômico.
Pelo texto, é fácil perceber que os humanos de então ainda não sabiam que os bens naturais são finitos. Ou, pelo menos, acreditavam que alguns deles se renovam com facilidade. Vejam o que diz o princípio 3 do texto:
“A capacidade da terra (sic) de produzir recursos renováveis vitais deve ser mantida e, sempre que possível, restaurada ou melhorada”.
E, agora, o que diz o princípio 5:
“Os recursos não-renováveis da terra devem ser empregados de tal maneira a se evitar o perigo de exaustão futura e a se assegurar que seus benefícios seja divididos por toda a humanidade”.
Outro ponto a se destacar é o que as delegações dos 88 países que estavam na reunião deixam claro que a opção da humanidade deve ser no sentido de cada um cuidar de seu próprio território. A globalização só iria começar a se tornar presente anos depois.
Há referência também à necessidade de compensar as vítimas de poluições e a se assegurar que Ciência e Tecnologia sejam empregadas para identificar possíveis riscos ao ambiente e solucionar problemas para o bem comum da humanidade.
Mas que não se pense que a Conferência de Estocolmo foi um consenso. De forma alguma. O texto final foi intensamente lido, relido, e houve muitas contestações, até uma tentativa de boicote. Na época chamados de países subdesenvolvidos, os pobres tiveram que contar com a ajuda de organizações não-governamentais para levantarem a questão da desigualdade social e fazer constar no texto final.
E aqui estamos nós, meio século depois, com muitos avanços tecnológicos e científicos que, de fato, fizeram bem à humanidade. Não fosse a Ciência, por exemplo, a conseguir isolar o Corona vírus e produzir vacinas, teríamos perdido muito mais pessoas do que perdemos na pandemia.
Ao mesmo tempo, não podemos esquecer também que a pandemia foi, segundo muitos especialistas, causada por uma maneira totalmente desastrada de os humanos lidarem com os animais silvestres. E de utilizarem a terra para criar bichos e alimentá-los para a própria alimentação.
Hoje somos muito mais do que éramos há 50 anos. Vivemos mais, temos mais facilidades, mas deixamos de aprender muito também. Como, por exemplo, que plantar árvores é imprescindível para dar qualidade de vida às pessoas em grandes cidades.