Queridos leitores, como eu assumi um compromisso com vocês, aqui estou. Mas ainda preparo um texto bem legal sobre o Forum Social da Tunísia, que irá ao ar na segunda-feira. Quem me acompanha pelo Facebook sabe que não fui para a folia, mas perdi bastante tempo em transporte público, mais especificamente, o ônibus, nesse carnaval. Hoje pela manhã, por sinal, ouvi na rádio que o prefeito Eduardo Paes pensa em diminuir o número de blocos nas ruas no carnaval de 2014 porque viu que não dá certo. Acho que, em parte, ele está com razão. E que também é preciso que ele tenha uma certa dimensão de seus limites antes de “convidar’ tanta gente para a cidade. Diz o ditado que quem não tem quiabo não oferece caruru…
Num dos dias de carnaval fui caminhar na Estrada das Paineiras e voltei de bondinho porque lá em cima não tinha táxi. Fiquei impressionada com a expressão dos turistas que desciam de um dos monumentos mais belos do mundo ao ver a paisagem de uma das cidades mais belas do mundo. Estavam estafados, com calor, dormitando no embalo daquele bondinho que sabe ser desconfortável e quente. Não tinha como alguém ficar feliz em condições tão difíceis. Quando desceram, a primeira coisa com que fizeram contato foi uma lanchonete bem precária com duas pessoas também cheias de calor e com pouca disposição para atender. O desconforto daqueles que não tinham van ou táxi à sua espera não terminava aí porque tiveram que ficar esperando, num ponto de ônibus com sol a pino, um ônibus que demorou muito tempo para chegar. E muitos tiveram que viajar em pé até a Zona Sul.
Quando penso que, durante a Rio+20, várias vezes ouvi que o Rio de Janeiro quer se inserir no cenário mundial como uma cidade sustentável, percebo que, para isso, será preciso muito tempo e organização. Há várias maneiras de se olhar esse descaso com os turistas no Corcovado, assim como também é possível pensar num jeito de direcionar o povo que chega via Rodoviária ou aeroportos para outros lugares que não apenas a Zona Sul. Para tudo isso é preciso ter estratégia e, com certeza, um olhar menos voltado apenas para grandes obras de infraestrutura. A “casa’ tem que ser arrumada não só para seus moradores como para receber visitas. E era só dar uma caminhada pelas ruas (ruas mesmo, não de helicóptero nem de carro blindado) depois do carnaval para ver que estava tudo muito, mas muito bagunçado.
Assim, não é só diminuir o número de pessoas nos blocos que importa. Talvez se conseguir diversificar a brincadeira, ou os lugares da brincadeira, já dê para espalhar um pouco mais os foliões. Para isso é preciso chamar a equipe toda e caminhar pelas ruas. Ficar tecendo estratégias de dentro de um escritório distorce o problema que só vê quem está no chão.
Bem, mas deixa eu me organizar para o texto de segunda-feira. Aguardem, acho que vão gostar!